29 agosto 2015

Como falar com a criança sobre " a MORTE".

Oi Oi gente!

O assunto de hoje no blog é  sobre um tema bem complicado, na verdade eu vim falar sobre isso aqui, porque eu já tinha até comentado em uma das minhas redes sociais que o Pedro andava me perguntando muito sobre o "morreu" que os adultos por vez ou outra falam na frente das crianças e se vê em um linha tênue : Falo ou não falo o que é ? E além de tudo vem a seguinte questão : Como vou falar sobre isso com meu filho ?





Muitas vezes os pais ou responsáveis se deparam com uma situação de morte na família (até mesmo com animais de estimação) e não sabem como explicar para a criança. Da mesma forma aconteceu comigo, em situações diferentes, é claro, mas que acabaram gerando uma série de perguntas do Pedro sobre a morte e me vi na obrigação de respondê-las.Por isso, resolvi também abordar como ensinar a criança da melhor forma, lembrando que a mentira não é o melhor remédio.
Eu me deparei com esta situação de forma mais concreta ( sem ser a morte típica da formiga ) quando o Pedro me viu passar pela antiga casa da minha avó,onde não consegui conter as lágrimas e ele acabou me perguntando o porque que eu estava chorando... 

_Mamãe o que foi ? Você ta triste porque ?
_Porque a vovó da mamãe morava aqui nessa casinha, e agora a mamãe sentiu muuuuita saudade dela. Respondi.
_ "Vamo" lá mamãe ver tua vovó !
_ Ah filho, a mamãe não pode vê ela agora, porque agora ela mora lá em cima, bem lá em cima mesmo, no céu. E não tem como a gente subir agora ! 
_ Como sobe ? Chama um avião mamãe ...

E foi mais ou menos por ai... Até que eu falei a ele que a vovó tinha morrido porque o papai do céu tinha chamado ela pra perto dele , para deitar nas nuvens brancas, e que a gente não podia ver ela agora, nem com avião , porque só quem tinha a chave da porta de lá era papai do céu e que ele só deixa a gente entrar na hora certa, que ela era muito bonita e que a mamãe estava triste por ela ter morrido e ter ido morar com o papai do céu apenas porque sentia muita saudade. 

Bom...Ao se deparar com esta situação de perda, o primeiro passo é deixar claro para a criança, com frases diretas: “O vovô morreu, estou bastante triste”. Muitos irão se perguntar se a frase “estou muito triste” não incentiva a criança a sofrer mais ainda e eu afirmo que não, agindo assim a criança consegue elaborar seus sentimentos, aprendendo a lidar com eles naturalmente e ensinando através dos SEUS sentimentos que é possível ultrapassar este “luto” (tristeza). Após contar a notícia é bom que a criança se sinta amparada e perceba que sempre terá alguém no mundo que a ajudará passar por momentos difíceis e que não é por culpa dela que o vovô morreu (porque acontece de muitas crianças acharem que porque desobedeceram e foram maus, como castigo a pessoa que eles amam morreram).
Outra questão muito importante também é que muitas vezes as crianças elaboram histórias como um mecanismo de fuga, um certo tipo de defesa para fugir das situações que elas não querem aceitar ou compreender, e quando isto acontecer nós não precisamos ser duros mostrando a realidade de forma bruta , tente mostrar de forma cuidadosa que não será possível fugir daqueles sentimentos e que a tristeza deve ser vivida e transformada. 
Nesse dia o Pedro me falou :" Mamãe se você morrer igual a sua vovó bonita eu vou ficar triste demais " . Então, nesse momento ele já criou o seu próprio sentimento. 
Se os pais escondem da criança que um cachorro ou peixe do aquário morreu, dizendo que ele fugiu ou sumiu, e depois ela vê o bicho morto, ou mesmo ouve uma conversa sem querer, ocorre a quebra da confiança que ela tem em seus próprios pais e isso não vai ser legal. 
A outra situação que o Pedro passou, na mesma semana, por coincidência, foi a seguinte : Estávamos voltando da padaria e um carro passou por cima de um gato ( que já estava morto por sinal, porém ele ainda não tinha o visto) , ele presenciou a cena de fato : O gato morreu ! E de quebra ele ainda deduziu que foi o motorista do carro que havia o matado. 
O motorista estacionou o carro, saiu de dentro do carro, pegou sua maleta e quando estava entrando dentro de casa, o Pedro o chamou : 
_ Ei seu mocinho, você matou o gatinho. 
O motorista assustado me perguntou né ?:  _ Matei foi ? ( O motorista falou pra ele que havia sido um acidente).
Naquele momento o Pedro ficou bem irritado com o motorista, e depois que tudo foi explicado, falei pra ele que o gato já estava morto e o motorista passou em cima dele por que não havia visto e que tinha sido um acidente, que ainda não haviam enterrado o gatinho, mas que se ele estivesse vivo e estivesse na frente do carro ele poderia ter matado também. 
O pedro olhou pra mim e disse : "Mamãe, papai do céu chamou o gatinho, agora ele morreu e eu tô muito triste né ? Ele ta dormindo é mamãe ?"
É necessário explicar a criança o procedimento que acontecerá após a descoberta da morte, explicar sobre o funeral e o velório (levar a criança no funeral é uma boa ideia, porém não deve ser forçado), e se ainda assim a criança perguntar: “o vovô está dormindo?”, explique de forma clara e calma, pois se usarem frases como “o vovô não acordará mais” há grandes chances da criança ter um receio de dormir.
Muitas vezes os papais ficam desesperados ao ver seus filhos se tornando agressivos ou regredindo seus comportamentos. O que eu sempre digo é: os filhos são o reflexo de seus responsáveis, é a maneira como VOCÊS vão lidar com a dor que serão fatores primordiais para eles aprenderem a lidar com estas situações. Incentivem-os a falarem abertamente sobre a morte, sobre a pessoa que morreu, chorar e se entristecer no período do luto, estes processos naturais da vida devem ser vividos e expressados de forma saudável, pois a repressão ou exacerbo de sentimentos poderá fazer com que a criança sofra mais futuramente.
E ai , alguém  aí já passou por isso? 

A morte é um assunto difícil de entender até para os adultos. Para os pequenos é ainda mais confuso. Por isso, eles precisam de todo o apoio e sinceridade nos momentos em que devem encarar a perda de uma pessoa próxima. 
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